Novembro azul: prevenção e novas tecnologias podem diminuir números de casos

Urologista alerta que a campanha é uma oportunidade de o homem cuidar mais da sua saúde e de conhecer novos tratamentos que minimizam sequelas, tempo de tratamento e de hospitalização

O novembro Azul surgiu em 2003, inspirado no movimento australiano Movember, fusão das palavras em inglês moustache (bigode) e november (novembro), que simboliza a preocupação com a saúde do homem. No Brasil, 17 de novembro foi oficializado como o dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata e a campanha começou em 2014.

Um dos seus principais desafios é diminuir o preconceito, ressaltar a importância dos exames preventivos, discutir sobre a saúde do homem e apresentar novas tecnologias em prevenção e tratamentos. De acordo com o INCA (Instituto Nacional do Câncer), o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma). O instituto aponta que esse tipo de câncer atinge anualmente 29% dos homens no Brasil e causa cerca de 15 mil óbitos anuais, a segunda maior taxa de mortalidade por câncer que atinge homens no país.

O Chefe de Urologia do Centro de Oncologia e Urologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) e um dos maiores especialistas em cirurgia robótica, Dr. Bruno Benigno, reforça que um dos fatores importantes da campanha é a oportunidade de o urologista avaliar a saúde do homem de maneira geral, não somente na parte prostática. “Olhar a questão de atividade física, qualidade do sono, da alimentação, diagnosticar outros problemas de saúde como pressão alta, diabetes, etc., são boas oportunidades para aproveitar que esse homem faça uma avaliação mais ampla”, diz Benigno.

Os tratamentos evoluíram muito. Dentre as novidades, destaca-se a cirurgia de prostatovesiculectomia ou Prostatectomia Radical Robótica, para retirada do câncer de próstata e feita com auxílio de robô manipulado pelo cirurgião. Esse procedimento consiste na remoção total da próstata e é indicado principalmente quando o paciente apresenta doença localizada somente na próstata.

A cirurgia robótica apresenta técnicas menos invasivas e é executada através de microcâmera introduzida pelo abdômen, por um pequeno furo e por pinças, também introduzidas por pequenos furos. “Este método promove menos dor, sangramento e o paciente recebe alta mais rápido”, explica Benigno, um dos 320 urologistas aptos no País para executar tal técnica.

A prostatectomia radical também pode fazer parte de um tratamento chamado de “multi-modal”, usado quando o tumor é mais agressivo. Geralmente requer a realização de radioterapia e tratamento com medicações, além da cirurgia. De acordo com Benigno, a modalidade mais moderna de radioterapia para o tratamento do câncer de próstata é a radioterapia externa, hoje nomeada de IMRT. “Esta técnica dá a possibilidade de uma maior dose de radiação na próstata, com um índice menor de efeitos colaterais nos tecidos ao redor da mesma, favorecendo o tratamento e possibilitando menores efeitos colaterais para o paciente”, diz.

Estima-se que, ao ser diagnosticado no início, 9 entre 10 homens obtêm êxito no tratamento do câncer. Uma ótima margem, mas que não representa a realidade, já que os exames de prevenção do câncer ainda são um tabu entre os homens, o que torna a frequência das consultas ao urologista bem inferiores às das mulheres ao ginecologista.

Dentre os vários exames que ajudam na avaliação da saúde da próstata, os mais comuns para prevenção do câncer são o toque retal e a dosagem de PSA. O toque retal é um exame bastante comentado por gerar insegurança e preconceito pela maioria dos homens. Um dos principais objetivos da campanha Novembro Azul, por sua vez, é encorajar a sua realização. Através do toque retal é possível identificar sinais de doenças como inflamações, alterações nas glândulas e o surgimento de nódulos. Já o exame de sangue identifica se os níveis de PSA (Antígeno Prostático Específico) estão elevados. Alguns exames como a biópsia, ultrassonografia, ressonância magnética e tomografia computadorizada podem ser solicitados para um diagnóstico detalhado.

O diagnóstico precoce ainda é a melhor forma de combater essa doença, que se desenvolve de forma “silenciosa” e geralmente sem apresentar sintomas. Mesmo com ausência de sintomas, é recomendável que homens a partir dos 45 anos procurem um urologista e façam exames preventivos regularmente. “Quando descoberto precocemente, o câncer de próstata tem 90% de chances de cura”, reforça Benigno.

Dr. Bruno Benigno

Desde 2017 é chefe de Urologia do Centro de Oncologia e do Centro de Urologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP). É fundador da Clínica Uro Onco em São Paulo, onde atua nas duas unidades da Vila Clementino e Vila Nova Conceição. Benigno é especialista no tratamento do câncer do sistema urinário (masculino e feminino) e sistema reprodutor masculino, no tratamento do câncer de próstata, rim, bexiga, testículos, cálculos do sistema urinário. Tem como subespecialização a Cirurgia Robótica, Laparoscopia e Terapia Focal (HIFU).

Data: 24/11/2022
Fonte: Sala da Notícia - SP